Agonia irreversível, uma peça de Juan Benet, que nos leva numa viagem pelas reflexões de cada um, que ao mesmo tempo são as reflexões de todos.

Uma peça com dois actores, que se confundem intencionalmente, resultando na fusão que vemos no cartaz criado por nós. Emoção vs razão, num duelo de argumentos e de interpretações fabulosas que nos surpreendem a cada segundo.

Imperdível.

 

SINOPSE

Juan Benet escreveu quatro peças de Teatro. “Agonia Irreversível”, escrita em 1966 e publicada em 1969 em Espanha, dá à palavra a primazia em relação a todos os outros elementos. Próxima do diálogo filosófico, ela põe em cena dois homens que falam entre si. Conversa séria e cómica, a partir de jogos lógicos que são levados quase sempre até à exaustão, sobre temas abstratos: a relação consigo mesmo e a relação com o outro; contradições, solidão, identidade, tirania, submissão, amor…

Cinquenta páginas de uma lenta desagregação, de um combate verbal impregnado de sadomasoquismo “soft” que nunca consegue chegar a um fim. Este combate vai sempre mais longe que um xeque-mate, marcado pelas lembranças e pelos bocejos do desejo, e pelo rol de acontecimentos dos seus restos de vida, pela passagem incontrolável do tempo, por sábias discussões filosóficas sobre a liberdade, o destino, o desejo, o acaso, a infelicidade, a providência, por anedotas de todo o género, “rabellaisianas” ou patéticas, que surgem constantemente do espírito de um e do outro interlocutor.

A morte não venceu a agonia, e a desordem dos sentimentos e a sua perceção é sempre a mesma:

Como George Dandin e como em “À Espera de Godot” a peça de Juan Benet repete em cada ato o mesmo dispositivo, a mesma desesperança, a mesma necessidade da palavra, apesar do desejo de “enfim, perder o interesse por tudo, absolutamente tudo”, reafirma a mesma imobilidade (“O momento em que nada se mexe” é a divisa de ambos) CORPUS – É como se nada tivesse mudado. PERTÈS – Tudo continua como dantes.